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O que um quadrante ISG exige (e o que isso ensina sobre escolher um parceiro de Dados & IA)

Foto do escritor: Letícia Carvalho
Letícia Carvalho
há 2 dias
3 min de leitura

Se você vai contratar um parceiro de Dados & IA nos próximos meses, uma cena te espera: quatro ou cinco propostas na mesa, todas prometendo velocidade, resultado e experiência. Todas com cases bonitos. Todas se dizendo referência.


E aí vem o problema prático: como separar quem entrega de quem apresenta bem?

Depois de anos dos dois lados dessa mesa, eu cheguei a uma régua simples: desconfie do que o fornecedor diz de si. Confie no que terceiros verificaram e no que clientes declaram em número. Promessa é grátis. Auditoria, não.


O que um quadrante ISG exige de verdade

Uso o ISG como exemplo porque é o processo que eu conheço por dentro, e porque quase ninguém explica o que ele envolve.


Entrar num quadrante ISG não é preencher um formulário nem pagar uma cota. É passar por uma bateria de avaliação independente: volume de projetos comprovado com evidência, qualificação de time verificada, saúde financeira aberta pra análise, clientes consultados. O analista não tem nenhum interesse em elogiar; o trabalho dele é comparar você com os maiores do mercado, friamente.


A Dataside é líder de quadrante há dois anos consecutivos, disputando posição com KPMG, Deloitte, BRQ e CI&T. Eu conto isso menos pelo troféu e mais pelo que ele significa na régua deste artigo: esse resultado não se fabrica em um ciclo comercial. Ele exige operação funcionando, em escala, por anos, diante de quem verifica.


Como ler uma credencial (qualquer credencial)

O mercado de tecnologia é cheio de selos, e nem todo selo vale o pixel que ocupa. O jeito certo de avaliar é perguntar: o que foi preciso provar, e pra quem? Alguns exemplos do que cada tipo de credencial revela.


Especialização avançada de fabricante. A IA Advanced Specialization da Microsoft, que fomos a primeira empresa brasileira a obter, exige auditoria de práticas, evidência de projetos entregues e certificações de time. Ela prova capacidade técnica verificada por quem construiu a plataforma.


Seleção restrita de parceria. Ser uma de duas Partner Select da Databricks no Brasil prova algo diferente: o fabricante escolheu, entre todos, em quem confia pra representar a tecnologia dele. Escassez é informação.


Certificações de gestão. ISO 42001 (gestão de IA), 27001 e 9001 provam processo: que existe método documentado, auditado anualmente, pra governança, segurança e qualidade. Pra quem vai colocar dados sensíveis na mão de um terceiro, essa é a credencial mais subestimada da lista.


Reconhecimento individual de pioneirismo. O primeiro MVP de Azure OpenAI do Brasil está na nossa equipe. Prova profundidade de gente, que é o ativo que nenhum slide institucional consegue simular.


Repare no padrão: cada uma dessas exigiu prova diante de um verificador externo. É isso que separa credencial de logotipo.


O roteiro: cinco perguntas pra próxima concorrência

Guarde estas cinco e faça todas, pra todos os candidatos. As respostas separam a mesa rapidinho.


1. "Quem auditou vocês, e o que foi verificado?" Resposta boa cita avaliador, escopo e recorrência. Resposta ruim cita prêmio de mídia paga.


2. "Quais clientes declaram resultados, com número, no indicador deles?" Case escrito pelo fornecedor é marketing. Número declarado pelo cliente é prova. Peça pra falar com um.


3. "Como vocês medem ROI depois do go-live, e por quanto tempo?" Se a resposta terminar na entrega, o retorno vai terminar junto.


4. "O que vocês recusam?" Fornecedor que topa tudo não tem critério, e critério é o que protege o seu orçamento. Peça exemplos reais de projetos recusados.


5. "Qual compromisso de prazo vocês assinam?" Não a estimativa: o compromisso, com consequência escrita pra quem descumpre. A diferença entre os dois é a diferença entre marketing e engenharia.


A gente responde as cinco por escrito, e é por desenho: leitura antes da proposta, número declarado pelo cliente, Measure depois do go-live, lista pública de recusas e MVP funcional em até 4 semanas com garantia. Mas o roteiro vale mesmo que a Dataside nem esteja na sua mesa. Ele existe pra proteger a sua decisão, não pra ganhar a nossa.


A régua final

No fim, todo processo de escolha se resume a uma troca: você vai confiar uma parte do resultado da sua empresa a um terceiro. O mínimo que esse terceiro te deve é prova verificável de que já fez isso antes, em escala, sob auditoria, com clientes dispostos a assinar o número.


Todo o resto é apresentação.


Promessa qualquer um faz. Auditoria, não.



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