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O go-live não é o fim: o que acontece com projetos de IA seis meses depois da entrega

Foto do escritor: Dataside
Dataside
há 5 dias
3 min de leitura

Existe uma foto que se repete em todo projeto de IA bem-sucedido: o time reunido no dia do go-live, a solução no ar, a mensagem de parabéns no grupo.



Eu gosto dessa foto. Ela é merecida. O problema é o que acontece quando ela sai do feed.


Seis meses depois, uma parte relevante desses projetos está numa situação que ninguém fotografa: o modelo desatualizado, o processo de volta ao manual, o dashboard aberto por ninguém.


E a pergunta que eu faço nas empresas que visito quase sempre encontra silêncio: quem é o dono disso hoje?


Tradução honesta: todo projeto tem dono até a assinatura do contrato. Poucos têm dono seis meses depois do go-live.



A matemática que muda a conversa


Aqui está o ponto que eu queria que todo executivo enxergasse: o valor de um projeto de IA se acumula depois da entrega, não antes.


O investimento é quase todo pago até o go-live. O retorno é quase todo capturado depois dele: mês após mês de decisão melhor, processo mais rápido, custo evitado.


Um projeto que morre no sexto mês não perdeu "um pouco" de valor. Ele pagou 100% do custo pra capturar uma fração do retorno.


É por isso que a fase pós go-live não é manutenção, aquele item de rodapé no contrato. É a fase em que o ROI de fato existe ou deixa de existir.



Por que os projetos morrem depois da entrega


Depois de acompanhar muitos ciclos completos, eu vejo quatro causas se repetirem.


  • Ninguém é dono. 

    O projeto era do fornecedor e do comitê. O fornecedor entregou e saiu; o comitê se dissolveu. Sobrou uma solução órfã, e solução órfã degrada em silêncio.


  • O mundo muda e o modelo não. 

    Comportamento de cliente muda, mix de produto muda, processo muda. Modelo de IA não é software comum: sem acompanhamento, ele vai ficando gradualmente errado, e continua respondendo com a mesma confiança de antes. É o tipo de falha que não dá erro na tela. Dá prejuízo no relatório.


  • O número não tem ritual. 

    Não existe a reunião onde alguém olha o KPI da solução e pergunta se ele está entregando o prometido. O que não tem ritual não tem cobrança, e o que não tem cobrança volta pro jeito antigo em silêncio.


  • A responsabilidade estava fatiada. 

    A estratégia era de uma consultoria, a construção de outra, a operação de um terceiro. Quando o resultado cai, cada um aponta pro contrato do outro. Responsabilidade fatiada é responsabilidade de ninguém.


Os três nomes que eu exijo antes de topar


Do lado do cliente, a sustentação do valor cabe em três nomes escritos. Um dono nominal da solução, uma pessoa, não um comitê.


Um ritual com data, a reunião mensal ou quinzenal onde o número da solução é lido contra a meta. E um responsável pelo desvio, quem decide o que fazer quando o indicador sai da faixa: ajustar, escalar ou parar.


Sem esses três nomes, o que qualquer fornecedor entrega, por melhor que seja, é um piloto de luxo com data de validade.


E a parte que cabe ao fornecedor


Aqui eu falo do nosso desenho, porque ele nasceu exatamente dessa cicatriz.


O processo da Dataside tem uma quinta etapa chamada Measure, e ela não é opcional: depois do MVP no ar, a gente acompanha os KPIs definidos no business case, mede o ROI real contra o esperado e evolui a solução enquanto o mundo muda ao redor dela.


Não fazemos isso por gentileza. Fazemos porque a nossa régua de encerramento é externa: o trabalho só termina quando o cliente consegue dizer, com o número dele, o que mudou no negócio.


Ninguém é abandonado pós-projeto, porque abandono pós-projeto é exatamente onde o retorno morre.


E é também por isso que estratégia, engenharia, IA e operação moram na mesma empresa aqui dentro. Quando o número cai, não existe "isso é com o outro fornecedor". Existe um responsável, e ele tem nome no contrato.


O teste desta semana


Faz o inventário: lista as soluções de IA e dados que a sua empresa colocou no ar nos últimos dois anos.


Pra cada uma, três colunas: quem é o dono hoje, qual o número dela no último mês, quando foi a última vez que alguém olhou esse número numa reunião.


As linhas em branco não são falha do passado. São o retorno que ainda dá tempo de resgatar, porque reativar uma solução boa que morreu de abandono costuma ser o projeto mais barato e de payback mais rápido da fila inteira.


Entregar no prazo é o meio do caminho. O fim é o número que o cliente assina.



Letícia Carvalho Amante é COO da Dataside, consultoria de Dados & IA, primeira empresa brasileira com a IA Advanced Specialization da Microsoft e líder de quadrante ISG por dois anos consecutivos.



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